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Meus Filmes Favoritos de 2023

Uma retrospectiva do ano que passou


melhores de 2023

2023 foi um dos anos mais corridos desde que comecei a trabalhar como crítica. Pela Singular, cobri intensamente três festivais em São Paulo: a 47ª Mostra de São Paulo, a Mostra de Cinemas Africanos e o FIM, Festival Internacional de Mulheres no Cinema. Também estive em outras mostras, com coberturas menores, como o Kinoforum, Mix Brasil e tantas outras na Cinemateca, IMS e outros cantos da cidade. Além disso, foram mais de 80 críticas publicadas por aqui, e um artigo com mais de 10.000 visualizações. Fora as participações em podcasts, listas, cabines, eventos e outros projetos. Nesse sentido, pensei a elaboração de três listas aqui, uma com meus favoritos do cinema brasileiro, outra com os melhores filmes dirigidos por mulheres e outra maior, com meus 50 filmes favoritos do ano que passou. Para isso, utilizo como critério os filmes que vi em festivais, cinemas, cabines, streamings, tudo que passou de alguma forma oficialmente para mim e, dessa forma, é possível que alguns deles ainda não estejam disponíveis, mas são indicações para ficar de olho quando aparecerem. Talvez muitos aqui sejam óbvios e mais conhecidos, mas tentarei sempre trazer lançamentos diferentes, que ampliem nossa visão de cinema para outros realizadores, de outros lugares do mundo.


É sempre difícil colocar em ordem esses títulos, muitos se misturam quando penso em preferências, mas vale a intenção de dividir com vocês, também deixarei a indicação de onde encontrar esses filmes, quando disponível. Essa é a primeira vez que elaboro a lista dessa forma, então pude notar como quero ampliar meu repertório para os próximos anos, buscar coisas novas e trazer para cá. Além disso, vocês vão notar que existe um filme encabeçando todas as listas, então recomendo muito que procurem e assistam. Vamos a elas:


Meus Filmes Favoritos de 2023 - Cinema Brasileiro


10º - Retratos Fantasmas, Kleber Mendonça Filho (Disponível na Netflix)

9º - Medusa, Anita Rocha da Silveira (Disponível no Telecine)

8º - Para Onde Voam as Feiticeiras, Carla Caffé, Eliane Caffé e Beto Amaral (Disponível no Telecine)

7º - Tia Virgínia, Fabio Meira (Disponível para aluguel digital)

6º - Levante, Lillah Halla

5º - Marinheiro das Montanhas, Karim Aïnouz (Disponível no Globoplay)

4º - O Dia que Te Conheci, André Novais Oliveira

3º - Incompatível com a Vida, Eliza Capai (Disponível na Mubi)

2º - Mato Seco em Chamas, Adirley Queirós e Joana Pimenta (Disponível no Globoplay)

1º - Luz nos Trópicos, Paula Gaitán



Meus Filmes Favoritos de 2023 - Dirigido por Mulheres


10º - Saltburn, Emerald Fennell (Disponível no Prime Video)

9º - Trenque Lauquen, Laura Citarella

8º - Anatomia de Uma Queda, Justine Triet

7º - Levante, Lillah Halla

6º - Paraíso em Chamas, Mika Gustafson

5º - Entre Mulheres, Sarah Polley (Disponível no Prime Video)

4º - Priscilla, Sofia Coppola (Em Cartaz e em breve na Mubi)

3º - Incompatível com a Vida, Eliza Capai (Disponível na Mubi)

2º - Mato Seco em Chamas, Adirley Queirós e Joana Pimenta (Disponível no Globoplay)

1º - Luz nos Trópicos, Paula Gaitán


Meus 50 Filmes Favoritos de 2023


Xalé - As Feridas da Infância, Moussa Sène Absa

50º - Xalé - As Feridas da Infância, Moussa Sène Absa


A tragédia grega misturada às tradições do Senegal fazem o bonito longa de Moussa Sène Absa uma ode à força das mulheres, refletindo sobre a juventude que é o futuro do país


Huesera, Michelle Garza Cervera

49º - Huesera, Michelle Garza Cervera

(Disponível no Prime Video)


Huesera, horror Mexicano de Michelle Garza Cervera, trata a estranheza e solidão da maternidade e a dolorosa rota de quem quer se adequar às normas convencionais. Trabalha o body horror para quase destruir esse corpo, que deixa de ser visto como humano para se tornar receptáculo.


48º - Babilônia, Damien Chazelle

(Disponível no Telecine)


Se fosse necessário resumir Babilônia a uma palavra seria “caos”. O filme de Damien Chazelle trabalha uma atmosfera caótica desde os primeiros segundos, marcada ao longo do filme pela batida ritmada da trilha sonora, pela montagem acelerada, pelos acontecimentos absurdos e pelo tempo, sempre apontado pelo diretor, como quem além de contextualizar busca também criar uma sensação de que essa ação implacável das horas e dos anos está consumindo seus personagens aos poucos.


O Assassino, David Fincher

47º - O Assassino, David Fincher

(Disponível na Netflix)


Fincher retorna com thriller de direção tão meticulosa quanto seu protagonista, construindo na tensão um constante medo da perda do controle


Folhas de Outono, Aki Kaurismäki

46º - Folhas de Outono, Aki Kaurismäki

(Em breve na Mubi)


Folhas de Outono é uma história de amor no capitalismo. Ambientado nesse mundo sem graça, de trabalho precário, guerra e tristeza, que consegue ser encantador por seu humor depressivo. Estranhamente cômico ver esses dois encontrarem uma companhia em suas vidas miseráveis, mas bem coloridas.


Sem Coração, Nara Normande e Tião

45º - Sem Coração, Nara Normande e Tião


A majestosa nostalgia construída por Nara Normande e Tião faz de Sem Coração um bonito retrato sobre o amadurecimento e o amor aos lugares que nos formam


Bem-Vindos de Novo, Marcos Yoshi

44º - Bem-Vindos de Novo, Marcos Yoshi


Com uma abordagem intimista, Marcos Yoshi torna o espectador cúmplice e observador enquanto adentra aos poucos no mundo de uma família quase desconhecida. Uma das coisas mais bonitas e que me pegaram em Bem-Vindos De Novo é a forma como os pais estão dispostos a participar do trabalho do filho, colaborando em tudo para as filmagens. São detalhes de uma relação que mesmo distante, permanece forte em apoiar um ao outro nos objetivos.


Batem à Porta, M. Night Shyamalan

43º - Batem à Porta, M. Night Shyamalan

(Disponível no Telecine)


Shyamalan retorna suas temáticas habituais para propor uma escolha impossível e uma dúvida antiga sobre a salvação da humanidade


Pearl, Ti West

42º - Pearl, Ti West

(Disponível no Telecine)


O conto de fadas cheio de insanidade de Ti West, que revisita questões de X para se aprofundar na mente de Pearl. Uma história hollywoodiana de princesa sem final feliz.


 Cabana, Adriana de Faria

41º - Cabana, Adriana de Faria


Maravilhoso com Adriana de Faria e sua equipe conseguem em apenas um espaço, e com pouco tempo, criar tanta tensão e história. Sem a voz, o filme depende de todos os seus outros elementos para construir o desespero dessas mulheres, toda a força da atuação, a clausura da cabana que as aperta o tempo todo nos planos, e a expectativa de que algo está para acontecer, são suficientes para construir a tensão e o medo de algo que nunca vemos, mas sentimos nelas e no espaço. 

Um trabalho de som fantástico (tudo feito em foley), uma fotografia belíssima e uma aula de cinema em poucos minutos e com poucos recursos.


O Pequeno Corpo, Laura Samani

40º - O Pequeno Corpo, Laura Samani


O Pequeno Corpo constrói um sistema de crenças para guiar sua fantasia mitológica que não parece ter lugar certo no tempo, nem no espaço, se apresenta quase como um conto lírico sobre mulheres e mães de algum livro infantil do passado. Agata acredita tanto em seu mundo que se apega a um grande sofrimento pela alma da filha, mas é quando bate de frente com suas crenças que consegue atravessar barreiras tidas como impossíveis para uma mulher. A maternidade como um martírio, uma jornada dificultosa, em que enxergam seu corpo como utilidade e fonte de recursos mais do que humano, se apresenta sempre nesse sistema retrógrado de fé, em que a fantasia e a mística servem como saídas possíveis na vida ou na morte.


Crescendo Juntas, Kelly Fremon Craig

39º - Crescendo Juntas, Kelly Fremon Craig

(Disponível na HBO Max)


Fantasma Neon

38º - Fantasma Neon, Leonardo Martinelli

(Disponível no Globoplay)


Curta musical de Leonardo Martinelli dá o palco para um dos trabalhadores mais explorados atualmente, numa metrópole Brasileira cheia de cores, fantasias e sonhos partidos


Fogo Fátuo, João Pedro Rodrigues

37º - Fogo Fátuo, João Pedro Rodrigues

(Disponível para aluguel digital)


O sonho lúdico de João Pedro Rodrigues traz para as telas um conto de fadas gay e erótico que exalta os corpos e brinca com o colonialismo português


Retratos Fantasmas, Kleber Mendonça Filho 

36º - Retratos Fantasmas, Kleber Mendonça Filho 

(Disponível na Netflix)


Como quem se despede de uma fase do cinema, Kleber Mendonça Filho faz um retrato de si mesmo e de sua história de amor com a sétima arte.


Medusa

35º - Medusa, Anita Rocha da Silveira 

(Disponível no Telecine)


Anita Rocha da Silveira cria um horror cômico sobre as muitas faces de uma sociedade conservadora, cheia de vaidades e hipocrisias.


Para Onde Voam as Feiticeiras, Carla Caffé, Eliane Caffé e Beto Amaral 

34º - Para Onde Voam as Feiticeiras, Carla Caffé, Eliane Caffé e Beto Amaral 

(Disponível no Telecine)


Documentário com trinca de diretores, o filme se levanta coletivamente como um manifesto artístico e político construído a partir de embates e dialogando com as ruas.


Jogo Justo, Chloe Domont

33º - Jogo Justo, Chloe Domont

(Disponível na Netflix)


Jogo Justo foi uma bela surpresa em 2023. O filme, da diretora Chloe Domont, explora toda complexidade da relação entre poder e sexo, por meio da desconstrução da paixão inicial de um relacionamento que afunda rapidamente pelo medo da castração masculina, usando o tóxico mercado financeiro de cenário.


Saltburn, Emerald Fennell 

32º - Saltburn, Emerald Fennell 

(Disponível no Prime Video)


Exagerado e farsesco, longa de Emerald Fennell é uma sátira de manipulação encantadora, permeada por jogos de poder e desejos de muitas faces.


Trenque Lauquen, Laura Citarella

31º - Trenque Lauquen, Laura Citarella


Fugas da realidade nos encontros em que o “eu” se torna “nós” para acabar desaparecendo na natureza. O afastamento da cidade, a busca por novas alternativas para viver, a ânsia pelas fantasias e romances que se distanciam das amarras reais do mundo, Laura Citarella usa sua protagonista numa narrativa de muitas ficções e muitos estilos, fisgando pelo mistério para desacelerar cada vez mais enquanto adentra o naturalismo. A jornada é longa e cheia de episódios, mas vai bem encarar de uma vez, se enfiar nas muitas paradas de uma história que parece só seguir com nossa permissão, sem pressa para desvendar nada, porque o próprio questionamento é sua resposta final.


Doce e Sangrento / Leo, Lokesh Kanagaraj

30º - Doce e Sangrento / Leo, Lokesh Kanagaraj

(Disponível na Netflix)


Leo (ou Doce e Sangrento) é um pouco Marcas da Violência (mesma inspiração) com John Wick, mas na verdade é bem aquilo que só o cinema de ação indiano sabe fazer muito bem. Além das coreografias e músicas, um personagem interessantíssimo de acompanhar até o último segundo.


Na Água, Hong Sang-soo

29º - Na Água, Hong Sang-soo


Na Água não estava me ganhando até Sang-soo o finalizar de forma tão magistral. O desfoque que achata e dissolve as barreiras entre o interno e o externo, a complexidade humana, no criar e viver, o expressar emocional imagético suportado pela valorização do que é dito. Belíssimo.


Anatomia De Uma Queda, Justine Triet

28º - Anatomia De Uma Queda, Justine Triet


Justine Triet controla sua narrativa para nunca deixar a verdade escapar, instigando constantemente o espectador com atuação marcante de Sandra Hüller.


Juventude (Primavera), Wang Bing

27º - Juventude (Primavera), Wang Bing


Foram 5 anos que a equipe de filmagens passou entre diferentes pontos de trabalho que, na verdade, não se diferem tanto assim e, mesmo através do tempo e em condições mutáveis, o filme entrega uma unidade estética que condensa cada um desses núcleos, como se todos fizessem parte de um mesmo bloco. Wang Bing integra os operários ao maquinário, ressaltando as condições ao redor, mas nunca esquecendo a humanidade dessas pessoas aprisionadas. O diretor quer que olhemos essas pessoas como parte de um sistema complexo, que entendamos suas dificuldades, problemas e condições, mas também que esse olhar humano mais leve nunca se perca nem caia em uma romantização de sofrimento.


 Ervas Secas, Nuri Bilge Ceylan

26º - Ervas Secas, Nuri Bilge Ceylan


Dissecando o que há além do que pode ser visto superficialmente, Nuri Bilge Ceylan explora nos diálogos a complexidade do mundo de seus personagens.


O Melhor Está Por Vir, Nanni Moretti

25º - O Melhor Está Por Vir, Nanni Moretti

(4 de Janeiro nos Cinemas)


O Melhor Está Por Vir e Nanni Moretti com seu jeitinho de nos alegrar mesmo que o mundo tenha mudado. O futuro invade o passado - ou o presente - desse senhor que se recusa a mudar e se sente ficando para trás, restando a ele criar sua própria utopia, mesmo com tanta melancolia.


Tia Virgínia, Fabio Meira 

24º - Tia Virgínia, Fabio Meira 

(Disponível para aluguel digital)


Vera Holtz encarna o humor refinado e carregado de rancor e é uma das grandes peças desse retrato da loucura familiar tão autêntica e tão brasileira.


Levante, Lillah Halla

23º - Levante, Lillah Halla


Com a energia da juventude que reivindica seu lugar, Lillah Halla observa e exalta a diversidade criando redes de apoio que sobrevivem aos controles hipócritas da sociedade.


The Sweet East, Sean Price Williams

22º - The Sweet East, Sean Price Williams


The Sweet East tem um diretor que claramente se divertiu muito com a estética, no digital estourado do começo dos anos 2000 ou nas cenas de época, terror, romance e por aí vai. As aventuras bizarras de Lillian se valem de uma garota que sabe usar o olhar masculino a seu favor.


Oppenheimer, Christopher Nolan

21º - Oppenheimer, Christopher Nolan

(Disponível para aluguel digital)


Nolan não abandona seu estilo, mas se mostra capaz de provocar e ampliar emoções, transformando uma biografia em um thriller fascinante sobre uma mente assombrada.


Não Espere Muito do Fim do Mundo, Radu Jude

20º - Não Espere Muito do Fim do Mundo, Radu Jude


Cercado de referências da literatura, cinema, filosofia e política, Radu Jude faz crítica ácida e bem divertida da sociedade atual, seus fracassos e projetos neoliberais, principalmente na Romênia/Europa. Nessa união de elementos que pincela cada cena, mesmo que um ou outro passe batido, a identificação com as precarizações contemporâneas se mostra universal.


Paraíso em Chamas, Mika Gustafson

19º - Paraíso em Chamas, Mika Gustafson 


Paraíso em Chamas se volta para um microcosmo feminino, uma comunidade de ritos de passagens, ensinamentos e sobrevivência para suportar a vida num sistema individualista de falhas. Acerta em não explorar a separação dessas meninas tão negligenciadas mas que se fortalecem juntas.


Ferrari, Michael Mann

18º - Ferrari, Michael Mann

(Em breve nos cinemas)


Ferrari é mais do que uma cinebiografia, é um filme carregado da brutalidade da paixão. A mesma do ronco dos motores que parecem vivos, que constroem impérios e destroem vidas, uma obra que pulsa na fina linha entre o que um homem ama e o faz sentir vivo e suas tragédias.


Marinheiro das Montanhas, Karim Aïnouz

17º - Marinheiro das Montanhas, Karim Aïnouz

(Disponível no Globoplay)


Karim Aïnouz faz um resgate emocional e histórico extremamente íntimo em que permite ao espectador dividir sua jornada e seus pensamentos. No começo, é como se Karim não soubesse ao certo o que faria com seus registros dessa viagem, montando praticamente um diário, como se escrevesse em cartas para sua mãe tudo que está vivendo nessa parte de suas histórias que nunca conheceram. Aos poucos, o filme se torna mais intencional, talvez na mesma medida em que o diretor entenda o que está fazendo naquele país, naquelas cidades.


Entre Mulheres, Sarah Polley

16º - Entre Mulheres, Sarah Polley 

(Disponível no Prime Video)


Entre a fé e o desejo de ser livre, Sarah Polley cria uma comunidade presa no tempo que reflete as condições perduráveis de todas as mulheres.


Priscilla, Sofia Coppola

15º - Priscilla, Sofia Coppola 

(Em Cartaz e em breve na Mubi)


Priscilla é doloroso ao retratar o aproveitamento de um homem egocêntrico com o encantamento adolescente para aprisionar e controlar corpo e mente, tudo refletido nos cenários, roupas, no entorno de homens imaturos. Agridoce, com a doçura de Priscilla e o horror dessa relação.


Jigarthanda DoubleX, Karthik Subbaraj

14º - Jigarthanda DoubleX, Karthik Subbaraj

(Disponível na Netflix)


Cinema como arma, registro histórico da identidade de um povo, ferramenta de luta política. Mais forte quando se deixa fluir nessa paixão pela arte e no seu uso do que nos diálogos mais marcados pelo discurso direto. O centro de tudo, o nascimento do herói, permeado por uma relação pulsante com o cinema, se dá pelo espetáculo que se forma para as lentes, na força que só surge no encenar, na figura que se levanta para ser registrada, tornando o homem cruel um ícone de seu povo. Costurando-se a isso, o filme político, que mostra o poder da imagem sobre as pessoas, de manipular massas a pensarem algo mas também de as acordar e as organizar. Consegue ser tudo isso, trazer suas questões e paixões sem nunca esquecer da grandiosidade do filme, das coreografias, ação, violência e todo espetáculo que move a obra.


Missão: Impossível - Acerto de Contas Parte 1, Christopher McQuarrie

13º - Missão: Impossível - Acerto de Contas Parte 1, Christopher McQuarrie

(Disponível no Prime Video)


Tom Cruise e Christopher McQuarrie retornam com a paixão pela ação em um filme que olha para o passado da franquia e se estabelece como o próprio futuro do gênero.


EO, Jerzy Skolimowski

12º - EO, Jerzy Skolimowski

(Disponível no Prime Video)


EO é o olhar do mundo pelos olhos dos oprimidos. Nos tornamos testemunhas, junto com o burrinho, das poucas gentilezas e das muitas crueldades do mundo dos humanos. Teriam alguns mais direito de viver do que outros?


O Dia que Te Conheci, André Novais Oliveira

11º -  O Dia que Te Conheci, André Novais Oliveira


O Dia que Te Conheci encerrou a Mostra de 2023 pra mim como um dos filmes mais bonitos. A simplicidade do cotidiano, dos silêncios partilhados entre um ou outro detalhe, das pequenas coisas que se tornam mágicas na lembrança. “Hoje vai ser diferente” e todo impacto de um encontro em nossas vidas.


O Mal Não Existe, Ryusuke Hamaguchi

10º - O Mal Não Existe, Ryusuke Hamaguchi


O Mal Não Existe coloca os mensageiros perdidos do corporativismo ganancioso em confronto com as pessoas que vivem com respeito e responsabilidade na natureza. Se a Pandemia quase acabou com o mundo, Hamaguchi não tem muita esperança com o que restou, mas ainda sabe rir disso.


Zona de Interesse, Jonathan Glazer

9º - Zona de Interesse, Jonathan Glazer


Zona de Interesse capta o horror nas margens da tela, na sugestão refletida no sonho da família perfeita de propaganda. Glazer toma espaço para sua ambientação, observa um funcionamento limpo e organizado de um terror que gela a espinha sem nunca precisar estar no foco direto.


8º - John Wick 4: Baba Yaga, Chad Stahelski

(Disponível no Prime Video)


O quarto filme da franquia abraça de vez a fantasia e explora toda a mitologia criada por Chad Stahelski para transformar a figura de Wick.


Godzilla Minus One, Takashi Yamazaki

7º - Godzilla Minus One, Takashi Yamazaki


Godzilla Minus One coloca seus personagens em descrença com o futuro e com seu país, os unindo na reconstrução coletiva apoiada por um melodrama muito natural que dá significado para o que vem pela frente. Cinema puro, um absurdo de som e de imagens grandiosas e emocionantes.


Fechar os Olhos, Víctor Erice

6º - Fechar os Olhos, Víctor Erice


Cinema e memória, inseparáveis, parte um do outro. Além de pensar essa relação tanto histórica quanto emotiva, Erice traça uma jornada que sente o peso do tempo, talvez o que ele mesmo sente. E nesse sentido, o envelhecer, e enxergar a morte com alguma proximidade, conversa diretamente com a inevitável imortalidade da imagem, o filme que captura a vida enquanto ela desaparece, que mantém o que se modifica.


Incompatível com a Vida, Eliza Capai 

5º - Incompatível com a Vida, Eliza Capai 

(Disponível na Mubi)


Com filme bonito e dilacerante, Eliza Capai une uma rede de histórias para conseguir contar a sua própria e revelar um sistema que sufoca mulheres.


4º - Mato Seco em Chamas, Adirley Queirós e Joana Pimenta 

(Disponível no Globoplay)


Adirley Queirós e Joana Pimenta criam uma obra imersiva que olha com atenção para as pessoas que formam a periferia e digere os traumas recentes do país. Mato Seco em Chamas é quase uma lenda, das pessoas que lutam para ter alguma liberdade e precisam criar sua própria sorte nesse mundo seco e desigual. 


Afire, Christian Petzold

3º - Afire, Christian Petzold


Afire confronta um chato deslocado com pessoas que simplesmente vivem. O observador que só assiste no seu desconforto cria uma narrativa sobre o estranhamento e as inseguranças das interações humanas e do amor, que se aproxima como o fogo, nunca permitindo se queimar, só o sentir.


2º - Assassinos da Lua das Flores, Martin Scorsese

(Disponível para aluguel digital)


Scorsese faz de seu filme uma poderosa denúncia que se importa em retratar de forma justa os lados da história, retirando o drama da equação para provocar revolta.


1º - Luz Nos Trópicos, Paula Gaitán


Paula Gaitán nos convida a navegar com sua câmera pelas águas das Américas, investigando uma busca da humanidade por suas origens por meio da natureza. Ainda que nada seja, ou precise ser, linear, existe uma lógica que Gaitán parece traçar de uma criação do mundo até os tempos mais atuais. Na selva de pedra observamos as diversas identidades que se misturam nas pessoas, e os fantasmas que vivem às margens dos rios se tornam as almas que vagam pelas calçadas. É como se a criadora dessa obra montasse um mundo perto do fim, que se afasta cada dia mais da essência que o originou, tornando essa uma investigação por ancestralidade e por tudo aquilo que construiu um continente numa necessidade latente de se reconectar e encontrar uma identidade. Se pensarmos nas diversas origens da própria Gaitán, isso talvez se torne mais claro, mas não somos todos nós uma mistura de diversas fontes?



Raissa Ferreira














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