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Tribeca 2024 | Pastrana

Para processar o luto, Melissa Brogni usa as imagens para navegar a saudade e o contato com a adrenalina do skate downhill, em parceria com Gabriel Motta

Pastrana Curta Brasileiro

Curiosamente, já é o meu terceiro contato com um filme que lida com o luto no festival de Tribeca deste ano. Mas, agora, além de ser o único Brasileiro participante, o olhar é documental, com um vínculo verdadeiro sendo abordado. Melissa não apenas dirige, como se coloca no e para o filme, é sua dor que é parte principal da narrativa, do que fica claro desde os primeiros segundos, ser um tributo à vida de alguém que se foi, seu amigo Allyson Pastrana. Em parceria com Gabriel Motta na direção, o curta elabora em poucos minutos uma paixão pelo skate downhill, com imagens belíssimas de pessoas descendo o asfalto em alta velocidade, com roupas e capacetes que parecem figurinos futuristas. O visual de Pastrana alterna entre algo quase publicitário, com um filtro dramático que apela para o sofrimento da narradora e seus colegas, e registros crus e autênticos sendo manipulados em tela. Porém, provavelmente as cenas mais interessantes são as que carregam essas pessoas quase sem rosto, abaixando seus corpos para cortar o vento, assemelhando-se a uma caracterização e encenação de filme distópico ou de ação, mas que não é ficção e sim como eles gostam de viver suas realidades, na velocidade que os descola do espaço e do tempo.


A bonita homenagem da amiga não faz mistério acerca da morte de Pastrana, mas leva seu tempo como se para ela mesma fosse difícil dizer o que aconteceu. Por isso, é mais fácil usar as palavras de outras pessoas, um recorte de áudio jornalístico informa o ocorrido, mas pouco importa, o contato do filme com o esporte é tão próximo que é compreendido rapidamente que a única forma que esse homem poderia ter partido era fazendo o que amava. Por meio da narração de Melissa, das vozes dos amigos e da mãe, é construída em poucos minutos a figura do skatista que ela sempre adiou filmar, e é simples enxergar sua paixão pela adrenalina sem nem ao menos o ouvir falar sobre. A manipulação das imagens, quase expondo uma montagem em tela, costura bem a amostra de uma grande história, como a dele parece ter sido, em pouco tempo. É um recorte, praticamente um desabafo direto e simples de Melissa sobre Allyson, bastante pessoal. Mas, é sempre quando o filme olha para os corpos em movimento em seus skates, que as cenas brilham verdadeiramente. Só fico imaginando como seria incrível incluir algo assim em um filme de gênero, espero que outros que assistam tenham a mesma ideia.




 

Nota da crítica:

3,5/5


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