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A Religiosa (1966)


A Religiosa

Desde as primeiras cenas, Rivette já diz tudo sobre o que veremos essa mulher passar, atrás das grades, aprisionada na imagem, em seu corpo, em sua vida. O filme, assim como a obra em que se baseia, pode ser visto como uma exposição das corrupções e hipocrisias da igreja e do estado, mostrando como as mulheres eram controladas, negligenciadas e punidas, através da história de Suzanne (mesmo que o próprio diretor tome certo cuidado com isso ao introduzir sua obra).


A relação entre as mulheres do filme passa por laços afetivos maternais, rivalidade e atração sexual, explorando os pontos da vida que essa jovem foi privada de viver. Em dado momento ela diz “eu nunca conheci o mundo” pois desde pequena teve seu destino decidido por outros, a impedindo de explorar relações com outras pessoas, interesses românticos, sexuais e amizades, além de nunca ter recebido o afeto familiar, sendo rejeitada pela própria mãe inúmeras vezes.

Tudo que ela sempre desejou, sua liberdade, foi negada a ela por sua família, pela igreja, pela justiça e pela sociedade. Em diversos momentos, Rivette a filma aprisionada, com grades e barreiras que a separam do mundo e de outras pessoas. Sempre apresentada como uma mulher inocente, Suzanne é cercada por personagens que a oprimem e desejam a usar para algo, ela só encontra alguma bondade com a primeira madre e seu advogado, mas ninguém é capaz de libertar essa jovem de seu destino.


Muitas vezes o longa me parece um filme de horror, principalmente quando Suzanne é torturada em seu primeiro convento e quando a outra madre fica obcecada por ela. Mas, em todo o filme sentimos uma angústia profunda, como se o tempo todo a atmosfera nos avisasse que algo de horrível vai acontecer. Não há otimismo, mesmo quando a mulher troca de convento e vai até um lugar mais colorido e animado, onde Rivette nos mostra mais luzes e cores do que no convento anterior e onde as personagens parecem acolher Suzanne, tudo parece nos dizer que algo está errado.E assim, com alguns saltos temporais entre um pedaço e outro, um destino e outro de Suzanne, vemos essa mulher ser levada de lugar a lugar, inevitavelmente presa, sem poder sobre sua própria vida.

Quando ela parece se dar conta de que nunca terá sua liberdade, não há outro caminho que não se libertar dessa vida, encerrar um ciclo de controle dos outros sobre si mesma.





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