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Missão de Sobrevivência (2023)

Com direção de Ric Roman Waugh, parceiro em outros projetos de Gerard Butler, o filme de ação não é novidade quando se trata da antiga guerra dos Estados Unidos contra o Oriente Médio



Assistindo a Missão de Sobrevivência me peguei pensando diversas vezes em O Pacto (Guy Ritchie, 2023), filme que nem chegou a ser distribuído nos cinemas no Brasil e foi direto para o streaming, com uma temática bastante parecida. Não é nada novo, é claro, no cinema dos Estados Unidos, as tramas que envolvem soldados em missões no Oriente Médio, e já é previsível também o tratamento que cada personagem irá receber de acordo com a sua nacionalidade. Ocorre que em O Pacto e Missão de Sobrevivência os protagonistas que representam o ocidente são acompanhados de intérpretes tanto para comunicação quanto para aquele apoio cultural que tanto separa esses homens, porém os resultados são bem diferentes, o que até me fez criar novo respeito pelo filme de Guy Ritchie. É notável como a ação que Ric Roman Waugh tenta trabalhar é fraca até mesmo nas melhores chances, temos uma cena em que Gerard Butler derruba sozinho, com suas armas e habilidades, um helicóptero de um dos grandes inimigos que o persegue, porém a cena é basicamente uma grande escuridão intercalada com planos de visão noturna que emulam uma encenação gamificada e nada disso é capaz de criar alguma tensão ou adrenalina. O problema não é que sabemos que Butler vai sobreviver, assim como temos certeza que Jake Gyllenhaal sobreviverá em O Pacto, é a forma como as cenas são conduzidas sem aproveitar o que a ação e os cenários podem provocar.


Como o longa tenta construir tudo em torno dessa relação entre o agente secreto e o tradutor, perde-se muito apelo dramático no fraco trabalho dos personagens. Mo (Navid Negahban), assim como o coadjuvante no filme de Ritchie, é visto como um traidor por seu povo e se une ao homem do ocidente como uma vingança pessoal por uma morte em sua família, tudo é idêntico nesse arco nas duas obras exceto que em Missão de Sobrevivência é quase impossível se conectar com esses personagens e criar alguma empatia com eles, o oposto do tradutor que O Pacto apresenta e se torna facilmente o melhor ponto para começar a comprar essa narrativa tão vendida por hollywood de que os povos que eles atacam são quase selvagens sem lei, com um ou outro que merece nossa compaixão. Pois bem, Mo não consegue vender tão bem essa ideia, embora ele tente bastante pelo texto. Porém, o longa não vai se esforçar só pela trama entre os dois homens e vai inserir um tanto de outros núcleos, o que é um território bastante complexo já que essas questões políticas são bastante densas no mundo real para um filme como esse tentar explorar, assim muitos arcos narrativos são quase descartáveis e, por um momento, é possível esquecer deles ou até pensar que o próprio diretor os esqueceu.



Temos uma jornalista que é apresentada logo no começo, que serve como peça para expor o agente secreto e seu intérprete e depois é - como diria o bom ditado popular - esquecida no churrasco. O homem de bigode (Bahador Foladi), determinado a capturar Butler, até que para de ser o maior problema dele e morre sem muito alarde naquela batalha que pouco enxergamos na escuridão. Dois personagens que são introduzidos com algum destaque e histórias de fundo, familiares, emoções e motivações até que nem sabemos mais se estão vivos ou mortos. Por sorte, o filme lembra de dar um desfecho a eles ao fim e nesse ponto realmente não podemos reclamar, praticamente tudo é redondinho e todas as pontas se amarram sem sobrar quase nada - quase porque o arco da coitada da cunhada do Mo, que ele queria aproveitar a viagem pra ver se achava, fica por isso mesmo, paciência, quem sabe numa próxima. O outro vilão, o homem na moto que é tipo um playboy que só quer morar em Paris ou em Londres e sair desse deserto todo, ainda tem um desfecho mais claro, mesmo que, em geral, só a morte de um americano pareça ser realmente digna de um tempo de tela.


No fim, nada é realmente importante, nada cria alguma conexão, e ainda que tente fazer o mesmo que tantos filmes estadunidenses querem, não tem força nenhuma para manipular emoções e fica nessa pataquada de textos rasos que vilanizam o oriente e exaltam os Estados Unidos, e alguns países da Europa, como lugares mais civilizados para se viver. Nada de novo, a gente já sabe, talvez cole com os estadunidenses mais fanáticos, mas por aqui fico com um pedido de desculpas para Guy Ritchie que pelo menos tem algum êxito com suas manipulações e sabe fazer uma ação minimamente decente.


Nota da crítica:

1,5/5


Filme assistido a convite da Diamond Films

Missão de Sobrevivência chega aos cinemas em 27 de Julho


 



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